EXODUS, Otto Preminger, 1960
por Marc C. Bernard


Quando falam de sua profissão, os cineastas adotam rapidamente um tom e idéias comuns. Todos estão de acordo em afirmar: “Um bom roteiro deve ser um roteiro popular”. A Delícia de um Dilema (Rally ‘Round the Flag, Boys!, Leo McCarey, 1958), A Morte tem Seu Preço (The Naked and the Dead, Raoul Walsh, 1958) e Exodus provam que eles têm razão e que são fiéis às suas proposições. Se é McCarey que tem razão, isso significa que o melhor filme será aquele que contará da melhor forma uma história interessante. Interessante, isto é, apaixonante e moderna. Assim fica evidente que: 1) Um filme não possui qualquer eficácia se ele não é popular. 2) O sentido da palavra popular não é restritivo, mas ao contrário autoriza uma concepção mais ampla das coisas. 3) Nessa nova medida não existe diferença de natureza entre uma comédia musical e um filme didático.

O dever de um cineasta não pode, nem por um instante sequer, ser outro que não o de mostrar aos homens que vivem no mesmo tempo que ele aquilo que existe de mais importante no mundo presente. Um cineasta moderno é necessariamente um cineasta decidido a ser realista. Fritz Lang, Joseph Losey e Otto Preminger querem antes de tudo fazer filmes populares e realistas, porque eles querem que o trabalho de conceber e realizar filmes seja primeiramente uma forma de ser honesto com as coisas, e eles desejam dividir com os outros essa honestidade.

Visto que, segundo a expressão de Jacques Serguine, “o cinema é a arte do verdadeiro”, Exodus é o mais belo filme de Preminger. Há em Exodus uma respiração desconhecida nos seus filmes precedentes e há, por exemplo, bem poucas cenas no cinema que possuem a energia e a justeza daquela em que, numa noite de verão, Paul Newman e Eva Marie Saint jantam num terraço sobre a cidade. Como os grandes romancistas, Preminger é um narrador, um contador de histórias. Seu dever é despertar a curiosidade do público e satisfazê-la. Nessas condições, ser brilhante é ser natural. A arte de Preminger não possui mistérios, é o trabalho de um homem ativo e generoso. Exodus é fruto de um entusiasmo do qual diz-se ser aquele da juventude, mas que encontramos, de fato, na maturidade. Nenhum filme nos havia falado com tanta propriedade da adolescência, da coragem e da guerra.

Foram escritas páginas sobre a mise en scène de Otto Preminger, como também sobre as dos filmes de Fritz Lang. Na nossa opinião, deve-se dizer aquilo que dizia Lang sobre O Sepulcro Indiano (Das indische Grabmal, 1959): “Eu procuro numa cena dar somente aquilo que é necessário, não fazer desvios, ser simples”.

(Présence du Cinéma nº 11, fevereiro 1962, p. 32. Traduzido por Matheus Cartaxo)

 

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